TDS, Extração e Cor da Torra: Como a Asante Mede uma Boa Chávena

O café de especialidade é muitas vezes descrito na linguagem do romance — terroir, ofício, paixão. Tudo isso é real, mas por baixo está algo de que se fala menos: a medição. A diferença entre um café que é consistentemente excelente e um que é apenas ocasionalmente bom está quase sempre numa disciplina de medição. Na Asante, o controlo de qualidade assenta em dois pilares: a cor da torra e os sólidos dissolvidos totais (TDS). Eis o que estes termos significam e porque importam para o que acaba na sua chávena.

Concentração versus extração: duas coisas diferentes

As pessoas usam muitas vezes "forte" de forma vaga, mas, no café, concentração e extração são propriedades distintas e mensuráveis.

·     A concentração (TDS) é o quão concentrada está a bebida — a percentagem do líquido que é café dissolvido em vez de água. Mede-se como sólidos dissolvidos totais, ou TDS, normalmente com um refratómetro.

·     O rendimento de extração é a quantidade da massa disponível do café que foi efetivamente dissolvida na bebida, expressa como percentagem do café seco usado.

Um café pode ser concentrado mas sub-extraído (concentrado, mas azedo e pouco desenvolvido), ou fraco mas sobre-extraído (aguado, mas amargo). Preparar bem significa controlar ambos ao mesmo tempo.

A tabela de controlo de extração da SCA

A tabela de controlo de extração da SCA cruza estas duas propriedades para definir uma zona-alvo de café de filtro equilibrado.

·     Rendimento de extração ideal: cerca de 18–22%. Abaixo disto, o café tende a saber a azedo, salgado e pouco desenvolvido. Acima, tende a saber a amargo, seco e adstringente.

·     Concentração ideal (TDS): cerca de 1,15–1,35% para café de filtro, no intervalo clássico "Gold Cup", embora as preferências variem por região e por palato.

No ponto em que a extração e a concentração se cruzam dentro desta zona, o café sabe a equilibrado e doce. A tabela transforma a prova subjetiva em algo que se pode definir como alvo e reproduzir.

Propriedade

O que mede

Alvo típico de filtro

Se demasiado baixo

Se demasiado alto

Concentração (TDS)

Concentração da bebida

~ 1,15–1,35%

Aguado, sem corpo

Pesado, avassalador

Rendimento de extração

% de café dissolvido

~ 18–22%

Azedo, salgado

Amargo, seco

 

Onde entra o refratómetro

Um refratómetro mede como a luz se desvia ao atravessar o café preparado, o que corresponde ao TDS. A partir da leitura de TDS, do rácio de preparação e do peso de café usado, é possível calcular o rendimento de extração. Isto permite a um torrador ou barista responder a uma pergunta precisa — "esta preparação caiu na zona equilibrada?" — em vez de adivinhar. É a ponte entre uma receita e um resultado repetível.

O benefício prático para si, em casa, é mais simples do que o instrumento sugere: as recomendações de preparação que damos para os nossos cafés assentam nestas medições, pelo que segui-las o aproxima da zona equilibrada sem precisar do equipamento.

Cor da torra: medir o desenvolvimento, não apenas a escuridão

O segundo pilar é a cor da torra. A cor é um indicador de quão desenvolvida está a torra — as reações químicas, sobretudo as reações de Maillard e a caramelização, que constroem o sabor à medida que o grão torra. Medir a cor (com discos de cor ou um medidor dedicado) dá uma verificação objetiva do desenvolvimento da torra que o olho, por si só, não consegue julgar de forma fiável sob luz variável.

Fundamental: medimos a cor tanto do grão inteiro como do moído. Uma diferença entre as duas — um interior mais escuro do que o exterior, ou vice-versa — revela um desenvolvimento irregular dentro do grão, apontando muitas vezes para a mecânica de torra, como a velocidade do tambor, o fluxo de ar ou o tamanho do lote. A cor da torra é, por isso, não só uma verificação final, mas também um diagnóstico que realimenta a forma como torramos o lote seguinte.

Porque a medição é uma forma de respeito

Seria fácil tratar a medição como algo frio ou clínico, o oposto do ofício. Vemos o contrário. Começamos com café verde selecionado a 84+ na escala da SCA e proveniente de produtores que fizeram um trabalho minucioso na origem. Medir a cor da torra e o TDS é a forma como honramos esse trabalho — como garantimos que o potencial do grão verde se concretiza de forma consistente, saco após saco, e não fica entregue ao acaso. A precisão não está em conflito com a paixão; é como a paixão se torna fiável.


Perguntas frequentes

O que é o TDS no café?

TDS significa sólidos dissolvidos totais — a percentagem de um café preparado que é material de café dissolvido em vez de água. É uma medida de concentração, normalmente lida com um refratómetro e expressa em percentagem.

Qual é a percentagem de extração ideal para café de filtro?

A tabela de controlo de extração da SCA aponta para um rendimento de extração de cerca de 18–22%. Abaixo desse intervalo, o café tende a saber a azedo e pouco desenvolvido; acima, a amargo e adstringente.

Qual é a diferença entre concentração e extração?

A concentração (TDS) é o quão concentrada está a bebida; o rendimento de extração é a quantidade da massa do café que foi dissolvida na bebida. São independentes — um café pode ser concentrado mas sub-extraído, ou fraco mas sobre-extraído.

Porque é que os torradores medem a cor da torra?

A cor da torra é um indicador objetivo de quão longe progrediu o desenvolvimento do sabor durante a torra. Medir a cor do grão inteiro e do moído revela também se um grão se desenvolveu de forma uniforme por dentro e por fora, o que ajuda a diagnosticar e a aperfeiçoar as decisões de torra.

A perspetiva da Asante

Conhecimento e transparência são valores pelos quais nos regemos, e é isto que eles significam por trás do balcão: instrumentos, alvos e ciclos de feedback honestos ao serviço do sabor. Quando prepara um dos nossos cafés, está a provar o fim de um processo medido que começou com um grão verde escolhido a dedo. Investimos na arte — e na medição — para que possa saborear o resultado perfeito.

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